
Pressão por resultados, frustrações e cobranças também fazem parte da rotina esportiva e exigem atenção dos adultos que acompanham crianças e adolescentes
O esporte escolar é espaço de convivência, aprendizado e desenvolvimento, mas também coloca crianças e adolescentes diante de desafios que vão além da preparação física. Cobrança por resultados, medo de errar, derrotas, comparação com outros atletas e expectativas em torno do desempenho podem fazer parte da experiência de quem começa cedo a competir.
Em alusão ao Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, a Federação Alagoana de Esportes Colegiais (FAEC) chama atenção para a importância do cuidado com a saúde mental também no ambiente esportivo.
Para a Federação, professores, treinadores, escolas e famílias têm papel importante na construção de uma experiência esportiva que respeite os limites e o momento de cada estudante.
Uma derrota não deve ser tratada como fracasso, assim como um erro durante uma competição não pode definir a capacidade de uma criança ou adolescente. O resultado faz parte do esporte, mas não deve se sobrepor ao bem-estar de quem está competindo.
O comportamento dos adultos também importa
A forma como os adultos reagem aos resultados pode influenciar a maneira como o estudante vivencia o esporte. Cobranças excessivas, comparações e críticas constantes podem transformar uma atividade que deveria contribuir para sua formação em uma fonte de pressão.
Por outro lado, ouvir, acolher as frustrações e reconhecer o esforço ajuda crianças e adolescentes a compreender que vencer e perder fazem parte do processo.
O presidente da FAEC, Irã Cândido, destaca que a formação esportiva precisa considerar o estudante para além do desempenho apresentado dentro de quadra.
“Quando trabalhamos com crianças e adolescentes, precisamos lembrar que estamos contribuindo para a formação de pessoas. Queremos resultados e queremos ver nossos estudantes evoluindo, mas é fundamental que eles encontrem no esporte um ambiente saudável, de respeito e de aprendizado”, afirma.
A atenção também deve existir diante de mudanças de comportamento ou sinais de sofrimento emocional. Nessas situações, família e escola devem buscar orientação e acompanhamento de profissionais habilitados.
Para a FAEC, falar de saúde mental no esporte escolar é também reforçar uma ideia simples: antes do atleta existe uma criança ou um adolescente em formação, que precisa encontrar nos adultos ao seu redor apoio para competir, aprender, errar e recomeçar.